Arquivado em: Reverberando

Depois de mais de quinze dias no Canada, pude, enfim, comecar a esbocar os meus sentimentos a respeito de mais essa experiencia. Alem da falta dos acentos graficos, que na realidade eh o minimo, pude sentir muita falta das coisas do Brasil.
Tenho uma familia maravilhosa, super-carinhosa e prestativa, alem de amigos poucos, mas muito especiais. Sabia desde os preparativos para vir para ca que essa mistura iria me custar muito. Demoraria a me adaptar e que nem tao cedo iria ter uma rotina livre de saudade.
O problema eh que nao esperava encontrar um pais com uma miscelania de nacionalidades. Sim, pasmem, aqui tem gente de todo lugar, ao ponto de nao sabermos como definir o canadense de nascimento.
Uma coisa eh certa, tive um choque cultural enorme. Sabia que nao encontraria as caracterististicas brasileiras, mas nao esperava me surpreender tanto. Estou em Montreal, uma cidade belissima, mas cheia de frio. Para nos, brasileiros, frio em diversos sentidos. Sou nordestina, acostumada com calor, muito calor, e chego aqui no inverno, pego uma media de -21oC, e tenho que me obrigar a sair de casa todos os dias para resolver detalhes da minha estada e da minha vida academica. Realmente, nao eh facil, mas da para aos poucos ir se acostumando.
O problema maior, contudo, foi encontrar uma populacao extremamente moderna, em que as relacoes sao estritamente profissionais e que aquele afago humano so se eh obtido por latinos. Engracado que sempre reclamei que, no Brasil, as pessoas eram pouco profissionais e que atribuia isso ao fato de ser um pais com uma estrutura em desenvolvimento, e, por isso, era preciso mascarar um pouco com um “afago” extra. Nao sabia eu que o extremo oposto, ou seja, profissionalismo demais, tambem nao me parece agradavel.
Certamente com o tempo me acostumarei a essa maneira moderna de ser, mas por enquanto, prefiro ir digerindo aos poucos cada fato ocorrido durante esses dias. Isso tambem nao significa dizer que nao ha o que se gostar ou que se achar bonito, e sim que a adapatacao nao tao facil como se imagina.
Sao 3h da madrugada, Morfeu me abandonou, entao resolvi apelar para a tecnologia. Quem sabe o bom computador nao seja o meu sonifero? Eh, estou me esforcando para me adaptar a maneira moderna de ser…